Fazer perguntas tira-nos do piloto automático
Quantas vezes entramos numa reunião já convencidos de que sabemos qual é o problema? Quantas vezes assumimos que percebemos as expectativas de um líder, de um colaborador ou de uma equipa sem fazer uma única pergunta adicional?
No mundo onde a velocidade muitas vezes se sobrepõe à reflexão, existe um hábito simples que pode transformar a forma como trabalhamos, lideramos e nos relacionamos e esse hábito é fazer perguntas.
Perguntar não é um sinal de falta de conhecimento, pelo contrário, é uma demonstração de curiosidade, inteligência e abertura para aprender
O “perguntador” deve ganhar protagonismo, durante muitos anos, quem fazia demasiadas perguntas corria o risco de ser visto como alguém inseguro ou pouco conhecedor do tema. Hoje, felizmente, a realidade é diferente e as organizações mais inovadoras e os líderes mais eficazes são frequentemente os que têm a capacidade de questionar pressupostos, desafiar ideias feitas e explorar diferentes perspetivas.
Perguntar não é um sinal de falta de conhecimento, pelo contrário, é uma demonstração de curiosidade, inteligência e abertura para aprender.
O perigo do piloto automático
A rotina é uma aliada da produtividade, mas pode tornar-se uma inimiga do pensamento crítico, isto porque, quando operamos em piloto automático, repetimos processos, tomamos decisões com base em hábitos e raramente paramos para questionar se existe uma forma melhor de fazer as coisas. É aqui que as perguntas funcionam como um interruptor, obrigam-nos a parar, refletir e observar o que muitas vezes passa despercebido.
E é precisamente neste espaço de reflexão que surgem novas ideias, oportunidades de melhoria e soluções para problemas que pareciam não ter resposta.
Quando reconhecemos que não temos todas as respostas, desenvolvemos uma das competências mais importantes para o futuro: a humildade intelectual
Perguntar é uma competência de desenvolvimento pessoal
O crescimento profissional começa muitas vezes com uma pergunta e quando questionamos aquilo que sabemos, abrimos espaço para novas aprendizagens. Quando refletimos sobre os nossos hábitos, crenças e objetivos, aumentamos o nível de autoconhecimento. E quando reconhecemos que não temos todas as respostas, desenvolvemos uma das competências mais importantes para o futuro: a humildade intelectual.
Num contexto em que a aprendizagem contínua é cada vez mais valorizada, a curiosidade tornou-se uma vantagem competitiva.
A pergunta como ferramenta de liderança
Nas equipas de elevado desempenho, os líderes não se limitam a transmitir instruções, eles fazem perguntas. Em vez de indicarem exatamente o que fazer, ajudam os colaboradores a encontrar soluções através da reflexão. Este tipo de liderança promove autonomia, responsabilização e envolvimento isto porque uma pergunta bem colocada pode gerar mais impacto do que uma resposta imediata. São exemplo perguntas como, “O que considera que seria uma solução eficaz para este desafio?” ou “O que está a impedir a equipa de atingir este objetivo?”
Ao abrir espaço para a participação, o líder obtém informação mais valiosa e cria maior compromisso com a ação.
Perguntam o que pode ser simplificado, o que pode ser reinventado e que necessidades ainda não estão a ser satisfeitas
A curiosidade que impulsiona a inovação
A inovação raramente nasce de certezas, ela nasce de perguntas e as organizações que fazem crescer colaboradores e transformam mercados são aquelas que desafiam constantemente e perguntam o que pode ser simplificado, o que pode ser reinventado e que necessidades ainda não estão a ser satisfeitas. São aquelas que levantam questões como “E se fizéssemos isto de uma forma completamente diferente?” ou “O que estamos a assumir como verdade sem testar?” Frequentemente são este tipo de perguntas que funcionam como o ponto de partida para mudanças significativas.
Perguntas que fazem a diferença no dia a dia
Os profissionais de recursos humanos conhecem bem o poder de uma boa pergunta, é através dela que se compreendem expectativas, se resolvem conflitos, se promovem conversas de carreira e se criam ambientes de maior confiança.
Alguns exemplos úteis:
Para alinhar expectativas
- O que significa sucesso nesta iniciativa?
- Qual é a prioridade mais importante neste momento?
- Como será medido o resultado esperado?
Para desenvolver pessoas
- Que competência fará maior diferença na sua evolução profissional?
- O que gostaria de conseguir nos próximos doze meses?
- O que o está a desafiar neste momento?
Para promover a inovação
- O que faríamos se começássemos este projeto do zero?
- Que risco estamos a ignorar?
- Como poderíamos tornar este processo significativamente mais simples?
A pergunta certa pode mudar tudo, porque, as organizações que aprendem mais depressa não são necessariamente as que sabem mais e sim as que nunca deixam de questionar.



