
Quem lidera equipas sabe que deve estar sempre nas prioridades compreender quais as competências que são urgentes desenvolver para o negócio avançar
No início de cada ano, aquando da realização da reunião anual do Fórum Económico Mundial (WEF), ou Fórum de Davos, surge sempre um relatório fundamental para quem quer aprofundar quais vão sendo os desafios económicos e sociais globais, e em particular, para quem trabalha em L&D, qual vai ser o “top” de competências mais procuradas pelos empregadores no arranque de cada ano – o relatório designa-se Future of Jobs, é publicado pelo próprio WEF, em janeiro, e é obrigatória a sua leitura.
Quem lidera equipas sabe que deve estar sempre nas prioridades compreender quais as competências que são urgentes desenvolver para o negócio avançar, e, compreender as competências ditas emergentes que têm implicações diretas na estratégia de curto/médio prazo e no crescimento do negócio nos anos seguintes. Na última edição do Future of Jobs o TOP 10 de competências emergentes foram:
- Pensamento analítico (69% dos empregadores consideraram essencial)
- Resiliência, flexibilidade e agilidade
- Liderança e capacidade de influenciar socialmente
- Pensamento criativo
- Motivação e autoconsciência
- Literacia tecnológica
- Empatia e escuta ativa
- Curiosidade e aprendizagem ao longo da vida
- Gestão de talentos
- Orientação para o serviço e no atendimento ao cliente
É necessário cultivar uma mentalidade de crescimento nas equipas e nos indivíduos
Para que as competências listadas pelo WEF sejam realmente aproveitadas e cumpridas, é necessário cultivar uma mentalidade de crescimento nas equipas e nos indivíduos. Carol Dweck, psicóloga americana de referência, desenvolveu nos últimos anos, em várias obras e intervenções públicas o conceito de “mentalidade fixa” (fixed mindset) vs. “mentalidade de crescimento” (growth mindset), centrado em como as crenças ou caraterísticas (muitos imutáveis) sobre as capacidades pessoais condicionam o desempenho, as escolhas e motivações para aprender (novas) competências e a capacidade de adaptação a novos contextos.
Para Dweck, a mentalidade de crescimento (1) valoriza a aprendizagem e o esforço individual, (2) encara os desafios como oportunidades e formas de melhorar continuamente, (3) destaca a estratégia, o processo e o pensamento estruturado em vez de elogiar apenas no que é “imutável” como a personalidade, o talento ou o QI.
Hoje reconhecemos que a conjugação destas duas lentes — (1) tomada de consciência e identificação clara de quais são as competências emergentes e (2) equipas com uma mentalidade de crescimento (growth mindset) — são o que permite ter uma visão pragmática e um foco acertado no desenvolvimento de (novas) competências nas equipas e dentro das organizações.
A liderança e capacidade de influenciar socialmente como uma competência vital
Destas duas lentes e interpretando o TOP de skills do Future of Jobs mais recente há 4 notas a salientar:
- um equilíbrio entre desenvolvermos competências técnicas (literacia tecnológica) e diversas soft skills (resiliência, empatia e escuta ativa, orientação para o serviço), a que se junta a abertura a uma mentalidade de crescimento com uma adaptabilidade constante e aprendizagem contínua (curiosidade, flexibilidade e agilidade);
- A relevância estrutural dada ao pensamento analítico, competência que permite organizar informações, tomar decisões de forma mais consciente e resolver problemas, e onde a expressão do growth mindset é muito evidenciada cognitivamente ao ver cada desafio (ou problema) como um processo de resolução e crescimento e não como algo estranho, bloqueador, imutável, “que sempre foi assim”;
- a Liderança e capacidade de influenciar socialmente como uma competência vital que, por si só, é como que a força que inspira, motiva e mobiliza para a ação e transformação – “fazer mais e sempre melhor”
- No 11º lugar do TOP “Core skills in 2025” do Future of Jobs e com um acelerado crescimento da sua relevância pelos empregadores está a Inteligência Artificial e o Big Data (crescimento 17% em apenas 2 anos).
Lidar com o “capital humano” como ativo que se desenvolve todos os dias e não como custo a manter fixo e imutável
Estou certo de que a sua relevância continuará a aumentar até final desta década – nestas competências a mentalidade de crescimento que o individuo e as equipas tiverem ajudará a impulsionar e gerir a velocidade da mudança com mais facilidade e a lidar com o “capital humano” como ativo que se desenvolve todos os dias e não como custo a manter fixo e imutável.
Num ambiente global em que a tecnologia, a IA, a automação e a mudança demográfica redefinem o valor das competências, as organizações devem adotar uma dupla lógica: identificar e dar prioridade em desenvolver as competências certas (como apontado pelo WEF) e cultivar a mentalidade certa (como proposto por Dweck). Em Portugal, onde os indicadores apontam para oportunidades de emprego e para necessidades de atualização de competências, esta abordagem é particularmente relevante. O futuro do trabalho não será apenas sobre o que sabemos fazer, mas sobre o quanto estamos preparados para aprender, reaprender e adaptar-nos a cada novo desafio ou projeto
Fonte: https://reports.weforum.org/docs/WEF_Future_of_Jobs_Report_2025.pdf
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