
Os locais de trabalho têm um papel central na prevenção e promoção da saúde mental
A saúde mental consolidou-se como um dos principais desafios organizacionais da atualidade. Em Portugal, 34% dos trabalhadores referem stress, ansiedade ou depressão relacionados com o trabalho, acima da média europeia (EU-OSHA, 2025). Quase metade aponta pressão de prazos e sobrecarga como fatores críticos. Estes números não são meramente clínicos: traduzem-se em absentismo, presenteísmo, rotatividade e perda de produtividade. Este contexto reforça a necessidade de respostas estruturadas e colaborativas capazes de promover ambientes de trabalho mais saudáveis.
Em Portugal, 34% dos trabalhadores referem stress, ansiedade ou depressão relacionados com o trabalho, acima da média europeia
À escala global, o impacto é ainda mais expressivo. A Organização Mundial da Saúde e a Organização Internacional do Trabalho estimam que 15% dos adultos em idade ativa vivem com uma perturbação mental e que a depressão e a ansiedade custam à economia mundial cerca de mil milhões de dólares por ano em perda de produtividade (WHO & ILO, 2022). Metade dos custos associados resulta de impactos indiretos, como redução de desempenho e saídas precoces do mercado de trabalho. Os locais de trabalho assumem, por isso, um papel central na prevenção e promoção da saúde mental.
Estudo recente da Forrester Consulting, que envolveu 1074 empregadores e trabalhadores nos EUA, América Latina e Europa indicou que 44% dos trabalhadores se sentem mais stressados do que há cinco anos, sobretudo por pressão financeira e exigências laborais (Forrester Consulting, 2025). Em paralelo, 86% afirmam que as ofertas de saúde mental influenciam a decisão de aceitar um emprego — um dado que liga diretamente bem-estar à atração de talento.
Organizações que ignoram os riscos psicossociais enfrentam custos crescentes e fragilidade reputacional.
O tema deixou, pois, de ser opcional. Organizações que ignoram os riscos psicossociais enfrentam custos crescentes e fragilidade reputacional. As que atuam estrategicamente posicionam-se como empregadores credíveis, capazes de reter talento e sustentar desempenho. Investir na saúde mental no trabalho revela-se, assim, não apenas uma responsabilidade social, mas também uma condição para organizações mais resilientes e sustentáveis.
O primeiro passo é claro: reconhecer que a saúde mental é uma variável estrutural de competitividade e sustentabilidade.
Neste enquadramento, foi criada a Aliança Portuguesa para a Promoção da Saúde Mental no Local de Trabalho (ASM), uma instituição privada sem fins lucrativos fundada a 28 de outubro de 2022.
A ASM foi fundada partindo do reconhecimento do papel central que a saúde mental tem na vida de cada pessoa, dos desafios há muito identificados para garantir o direito à saúde mental, do impacto transversal na sociedade, bem como da carga e dos custos resultantes de décadas de esquecimento e silêncio em torno do tema. Mas também pela oportunidade resultante da exposição que o tema teve durante a pandemia pela COVID-19, que demonstrou de forma sem precedentes as inúmeras fragilidades existentes nesta área e como as questões da saúde / doença mental têm impacto em todas as dimensões da sociedade, exigindo uma intervenção multissectorial há muito reclamada, e no âmbito da qual os locais de trabalho têm um papel determinante.




